Unidos pela legalização das Drogas




Liga Antiproibiconista e Partido Radical Transnacional estão em Mérida em busca da construção do intercâmbio político e cultural acerca da legalização.
Considerados radicais por sua postura diante do problema da guerra contra as drogas na Europa, Marco Perducca (diretor executivo da Liga Internacional Antiproibicista) e Marco Cappato (Deputado Nacional pelo Partido Radical Transnacional Italiano) vieram a Mérida para apresentar o documento que propõe medidas de ações legislativas em todos os continentes em relação ao tema.

O documento foi elaborado baseado nas Convenções das Nações Unidas de 1961 , 1971 e 1988, onde o tráfico, a venda e o consumo de um grande leque de substâncias estão proibidos para outros fins, que o médico ou científico.

Diante disso, Cappato e Perducca levantaram a bandeira da legalização, assumindo uma postura contra a ONU e revelando o seu fracasso diante das estatísticas comprovadas de que o consumo de drogas, e todos os problemas econômicos decorridos dele, aumentam a cada dia.

“Não podemos permitir que a guerra contra as drogas se torne uma Guerra Santa”, diz Perducca. “Temos que encontrar uma forma de coordenar todas as forças de movimentos antiproibicionistas para que possamos ter voz ativa com os governos de todos os países que mais sofrem com isso”, completa.

Nisso, a Conferência “Saindo das Sombras” apresenta um bom cenário de alianças a favor da divulgação e promoção do documento. Nela estão reunidos representantes de vários movimentos a favor da legalização na América Latina.

Na Itália, a descriminalização tem grande apoio popular. Cerca de 52% de apoio nas pesquisas. Recentemente, Marco Cappato conseguiu reunir 700 mil assinaturas em um abaixo-assinado defendendo uma nova legislação sobre o assunto. A apresentar a proposta ao parlamento, foi surpreendido por uma reação de dúvida e indiferença.

Já em países da Europa, onde a política das drogas é um pouco mais flexível, ocorre um outro problema ainda mais grave: a ignorância das estatísticas. “A França, a Suíça e a Holanda não divulgam pesquisas que comprovam a queda do consumo, por medo de serem vistos como promotores do narcotráfico”, afirma ele.

Marco Perducca frisa que não se pode acabar com o problema do narcotráfico de um dia para o outro. “Temos que achar a raiz do problema para termos resultados práticos. Estamos falando de princípio fundamental, não de leis. Nosso posicionamento não é político, é institucional. Sabemos da dificuldade de se mudar uma legislação.”

Em abril deste ano, Viena vai ser palco de mais uma discussão sobre as políticas de proibições das drogas no mundo. “A Conferência de Viena será mais um passo adiante. Pretendemos neste novo encontro abrir uma porta na África”, continua Perducca.

Os dois italianos, após a conferência de Mérida, vão passar por todos os países da América Latina para conhecer seus problemas em relação às drogas, levantar dados estatísticos, tentar construir um intercâmbio entre o continente e a Europa e apresentar o documento de revisão das convenções da ONU.

“Temos que conhecer o país para depois liberar o documento e sua proposta de reclassificação das drogas” diz Marco Perducca. “Acreditamos que políticas alternativas de legalização são possíveis, mas os países que tentam fazê-las são acusados de criminosos”, afirma Marco Cappato. “Temos que pensar também em uma organização internacional que proponha um discurso rígido e possa sustentá-lo com força”, continua.

O deputado diz também que participou de algumas reuniões da ONU, onde descobriu que até 11 de setembro (dia do ataque terrorista ao WTC), a organização liberava dinheiro aos talibãs com a desculpa de ser para a luta contra as drogas. Neste caso, ele acrescenta que a ONU não quer admitir o próprio fracasso de sua política antidrogas. “As leis produzem o crime organizado. E isto nunca vai ser divulgado para o povo. Uma ação política tem que ser conhecida pela população. Temos criar um espaço de debate desta situação”, acredita ele.

Os principais pontos do documento são referentes à prevenção e ao tratamento, à produção e ao tráfico, aos aspectos sociais, sanitários e ao consumo e ainda aos aspectos jurídicos e penitenciários. A primeira medida de ação institucional do documento é a reclassificação das drogas. “Não é possível que a “cannabis” continue classificada da mesma forma que a heroína e sem aplicações medicinais. Temos que mudar isso já”, adiciona ele.

Os dois italianos querem ser ouvidos. Na Conferência de Viena, eles pretendem encontrar uma forma de unir esforços para que as grandes organizações internacionais abram um espaço para debates. “ Não sou otimista, mas também não sou pessimista. Temos boas razões para convencer as pessoas de que com a legalização acaba-se a guerra contra as drogas. Por isso é que não somos ouvidos. Justamente por isso que devemos lutar cada vez mais”, finaliza Cappato.

O documento dirigido à ONU está disponível no endereço eletrônico www.radicalparty.org onde é possível também assiná-lo.


Full Disclosure: The author wishes to acknowledge the material assistance, encouragement, and guidance, of The Narco News Bulletin, The Narco News School of Authentic Journalism, publisher Al Giordano and the rest of the faculty, and of the Tides Foundation. Narco News is a co-sponsor and funder of the international drug legalization summit, "OUT FROM THE SHADOWS: Ending Prohibition in the 21st Century," in Mérida, Yucatán, and is wholly responsible for the School of Authentic Journalism whose philosophy and methodology were employed in the creation of this report. The writing, the opinions expressed, and the conclusions reached, if any, are solely those of the author.

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